
Como vimos no guia fundamental sobre furação de centro, o primeiro furo usinado em uma peça é a âncora da precisão de todo o projeto. No entanto, no ambiente de alta performance do torneamento CNC, pedir apenas uma “broca de centro” no almoxarifado é um erro crasso.
A norma internacional que rege essas ferramentas é a DIN 333. Para garantir a otimização de processo e evitar que peças pesadas saltem da máquina durante o desbaste agressivo, a norma divide essas brocas (sejam elas de HSS ou de carboneto de tungstênio) em três geometrias críticas: Forma A, Forma B e Forma R.
Entender qual formato usar em cada situação é essencial para a sua lucratividade industrial.

1. Broca de Centro DIN 333 Forma A (O Padrão)
Esta é a broca mais comum nas oficinas, responsável por 80% das operações diárias.
- Geometria: Possui o pequeno piloto cilíndrico na ponta seguido por um único escareado cônico reto de 60 graus.
- Aplicação: Ideal para eixos curtos a médios e aplicações gerais de tornearia onde a peça não passará por intenso manuseio antes de ser finalizada.
- O Risco: A borda externa do furo de 60° fica exposta na face da peça. Se a peça bater ou for arranhada na fábrica, essa borda amassa. Quando o contraponto apoiar no cone amassado, a peça girará excêntrica, arruinando a precisão.
2. Broca de Centro DIN 333 Forma B (Com Chanfro de Proteção)
A ferramenta indispensável para eixos pesados e produção em série.
- Geometria: É uma broca de duplo ângulo. Ela faz o piloto, o cone de 60° (para o apoio do contraponto) e, logo atrás, possui um segundo chanfro de 120 graus.
- Aplicação: O chanfro de 120° serve exclusivamente como “proteção de quina”. Ele “esconde” o cone de 60° dentro da face da peça. Assim, mesmo que a face da peça sofra impactos e arranhões no transporte entre o torno e a fresadora, a área de apoio vital de 60° permanece intacta e livre de amassados.
- Recomendação: Se você vai montar um longo eixo num suporte rígido de torneamento, a Forma B é mandatória para sua segurança.
3. Broca de Centro DIN 333 Forma R (Aresta Curva)
A joia da engenharia para peças complexas e retíficas cilíndricas.
- Geometria: Em vez do cone reto de 60°, o escareador possui um perfil em raio (curvo).
- Aplicação: Ao apoiar o contraponto em um furo curvo, o contato deixa de ser uma linha e passa a ser um “anel” ajustável. Isso reduz drasticamente o atrito e permite um leve desalinhamento mecânico (offset) sem que a ponta rotativa perca contato com a peça ou cause desgaste excessivo e trincas. É o padrão ouro para peças que irão para a retífica após o endurecimento.
FAQ: Dúvidas Comuns sobre a Norma DIN 333
Sim. Um contraponto com a ponta levemente gasta não assentará perfeitamente em um furo Forma A, causando vibração. A Forma R compensa melhor pequenos desgastes no ferramental da máquina devido ao seu assentamento esférico.
Em teoria, sim. O cálculo de Vc (Velocidade de Corte) depende do diâmetro maior que está tocando a peça. Como a Forma B cria um escareado maior a 120°, a rotação no final da furação deve ser ajustada levemente para baixo em comparação com a Forma A, evitando a queima da ferramenta.
Para furação em aços convencionais, HSS-Co (Cobalto) tem ótimo custo-benefício. Mas se você estiver usinando ferro fundido abrasivo ou aplicando técnicas de torneamento duro (Hard Turning), brocas de centro DIN 333 em metal duro sólido com cobertura de TiAlN são absolutamente indispensáveis.
